Flamengo aciona ANRESF para avaliar situação financeira do Vasco e questiona novos gastos

O Flamengo voltou a procurar a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para questionar a situação financeira do Vasco e os efeitos de novas operações financeiras durante o processo de Recuperação Judicial.

Segundo informação divulgada pela jornalista Mônica Alves, o clube rubro-negro pediu que a agência responsável pelo Sistema de Sustentabilidade Financeira do futebol brasileiro avalie a situação vascaína diante da possibilidade de novos financiamentos e investimentos no futebol.

O argumento do Flamengo é que permitir aumento de despesas esportivas enquanto existem compromissos financeiros em processo de renegociação poderia provocar uma assimetria competitiva em relação aos clubes que cumprem suas obrigações sem recorrer aos mesmos mecanismos.

A manifestação acontece em meio a uma discussão mais ampla entre os clubes sobre as novas regras de sustentabilidade financeira implementadas no futebol brasileiro.

Foto: Reprodução

Flamengo questiona impacto de novos investimentos no Vasco

De acordo com a informação divulgada, o Flamengo entende que a ANRESF precisa observar não apenas a situação contábil do Vasco, mas também os possíveis efeitos esportivos de novas operações realizadas durante a Recuperação Judicial.

A discussão ganha força porque o Vasco busca recursos para manter suas operações e, ao mesmo tempo, trabalha para fortalecer o elenco.

Um relatório recente do administrador judicial apontou que o Vasco terminou junho com aproximadamente R$ 9 milhões disponíveis em caixa, após iniciar o mês com R$ 20 milhões. O documento descreveu um cenário de forte pressão sobre o fluxo de caixa e elevada dependência de recursos externos.

Vasco já recebeu empréstimo de R$ 40 milhões

Em julho, a Justiça do Rio de Janeiro autorizou o Vasco a receber um empréstimo DIP de R$ 40 milhões da Almirante S/A, empresa ligada ao empresário Marcos Lamacchia, que negocia a aquisição da SAF vascaína.

O modelo DIP é utilizado em processos de recuperação para permitir que empresas obtenham novos recursos durante a reorganização financeira.

Segundo documentos do processo, a operação contou com parecer favorável da administradora judicial, do watchdog e do Ministério Público antes da autorização judicial.

Portanto, o fato de o Vasco estar em Recuperação Judicial não significa automaticamente que o clube esteja proibido de receber investimentos, empréstimos ou contratar jogadores. Essas operações, entretanto, podem ficar submetidas a controles judiciais e às regras do sistema financeiro do futebol.

Flamengo fala em risco de vantagem competitiva

A principal preocupação apresentada pelo Flamengo está relacionada ao equilíbrio entre responsabilidade financeira e investimento esportivo.

A posição rubro-negra é de que clubes que reorganizam ou postergam determinados compromissos não deveriam obter, por meio desse processo, uma vantagem sobre adversários que mantêm seus pagamentos em dia.

Essa não é uma preocupação nova.

Em julho, o Flamengo enviou à ANRESF e à CBF sugestões para o aperfeiçoamento das regras do fair play financeiro. Na ocasião, o clube afirmou que mecanismos jurídicos de reestruturação de dívidas poderiam ser utilizados para criar vantagens esportivas caso não houvesse uma regulamentação específica.

Flamengo e Vasco já têm outra discussão na ANRESF

Os dois clubes também estão envolvidos em outro debate perante a agência.

Em julho, o Flamengo acionou a ANRESF para analisar a negociação entre o Vasco e Marcos Lamacchia, argumentando que poderia existir conflito relacionado às regras que restringem influência significativa sobre mais de um clube.

O Vasco posteriormente respondeu à agência e defendeu a legalidade da operação.

Segundo o ge, a ANRESF solicitou documentos e esclarecimentos diretamente ao Vasco e aos investidores envolvidos. A agência ainda precisa analisar as informações antes de qualquer decisão definitiva.

Vasco defende suas operações

Até o momento, não há indicação de que a ANRESF tenha determinado que o Vasco interrompa suas contratações ou operações financeiras.

No processo envolvendo a possível venda da SAF, o clube já sustentou perante a agência que suas movimentações respeitam as regras existentes.

Além disso, a própria Justiça já autorizou operações financeiras importantes durante a Recuperação Judicial.

O acordo projetado para a SAF prevê investimentos de longo prazo bastante elevados. Documentos da negociação com Marcos Lamacchia apontam uma estrutura que pode alcançar cerca de R$ 3,1 bilhões, considerando pagamento de dívidas, cobertura de déficits futuros e investimentos no futebol e infraestrutura.

Caso deve aumentar rivalidade fora dos gramados

A movimentação adiciona mais um capítulo à histórica rivalidade entre Flamengo e Vasco, desta vez nos bastidores administrativos do futebol brasileiro.

Para o Flamengo, o debate envolve igualdade de condições e aplicação efetiva do novo sistema de sustentabilidade financeira.

Para o Vasco, qualquer questionamento terá de considerar que suas operações vêm sendo realizadas dentro de um processo de Recuperação Judicial acompanhado pela Justiça e por administradores responsáveis pela fiscalização financeira.

A ANRESF será responsável por avaliar eventuais questões relacionadas às regras do futebol. Até uma decisão oficial, não é correto afirmar que o Vasco esteja violando o fair play financeiro.

O caso deve continuar repercutindo nos próximos dias.

Fonte inicial: Mônica Alves

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