ANÁLISE: Palmeiras mostra força para avançar na Libertadores, mas classificação não apaga problemas do time
O Palmeiras garantiu presença entre os oito melhores times da Copa Libertadores de 2026, mas a classificação diante do Cerro Porteño deixou duas leituras bem claras: o time segue extremamente competitivo em mata-mata, porém ainda entrega menos futebol do que o potencial do elenco permite.
Na noite desta quarta-feira (19), o Verdão venceu o Cerro Porteño por 1 a 0, em Assunção, e avançou às quartas de final. Como o jogo de ida havia terminado empatado por 1 a 1, qualquer vitória colocaria o Palmeiras na próxima fase.
E foi justamente um dos jogadores mais importantes da era recente do clube quem decidiu novamente.
Gustavo Gómez marcou de cabeça após cobrança de escanteio de Jhon Arias e garantiu a vaga.
A classificação merece ser valorizada. Ganhar uma partida eliminatória no Paraguai nunca é trivial. Mas o resultado positivo também não deve impedir uma análise mais profunda da atuação.
O Palmeiras soube sobreviver ao tipo de jogo que a Libertadores exige
O confronto não teve controle absoluto do Palmeiras, nem domínio territorial constante.
O Cerro Porteño terminou a partida com 57% de posse de bola, enquanto o Palmeiras ficou com 43%. Os paraguaios finalizaram dez vezes, contra 13 do Verdão, e os dois times acertaram três chutes no gol.
Esses números mostram que o Palmeiras não venceu porque sufocou o adversário.
Venceu porque soube lidar melhor com os momentos decisivos.
Esse talvez seja um dos grandes diferenciais deste time em mata-matas. Mesmo sem conseguir dominar uma partida tecnicamente, o Palmeiras normalmente encontra maneiras de permanecer competitivo.
Em uma competição como a Libertadores, isso tem muito peso.
O começo do jogo mostrou um Palmeiras desconfortável
A entrada do Cerro Porteño foi melhor.
O time paraguaio conseguiu dificultar a saída palmeirense, ganhou disputas e tirou o Palmeiras da zona de conforto. Nos primeiros 25 minutos, os donos da casa tinham mais posse de bola e haviam produzido a melhor chance da partida.
O Verdão também teve dificuldade para construir jogadas pelo chão e passou a recorrer a lançamentos mais longos.
Esse é um ponto que ainda precisa evoluir.
Pelo nível técnico do elenco e pelo dinheiro investido, espera-se que o Palmeiras tenha mais soluções quando o adversário consegue neutralizar sua primeira ideia de jogo.
Em partidas contra equipes mais fortes, depender demais de disputas físicas ou de uma bola parada pode se transformar em um risco.
Gustavo Gómez apareceu quando o time mais precisava
A partida mudou aos 41 minutos do primeiro tempo.
Jhon Arias cobrou escanteio e Gustavo Gómez ganhou pelo alto para abrir o placar.
O lance resume bastante da identidade competitiva construída pelo Palmeiras nos últimos anos.
Quando o jogo não flui, a bola parada aparece.
Quando os atacantes não conseguem decidir, um zagueiro resolve.
Quando o confronto pede experiência, os jogadores mais acostumados a grandes noites assumem responsabilidade.
Gómez também alcançou uma marca histórica ao balançar as redes em nove edições consecutivas da Libertadores, de 2018 a 2026. Desde que chegou ao Palmeiras, já marcou 15 gols na competição.
Para um zagueiro, é um número impressionante.
Jhon Arias começa a ganhar peso dentro do time
Outro aspecto positivo da partida foi a participação de Jhon Arias.
Além da assistência para o gol de Gómez, o colombiano foi um dos jogadores mais presentes nas ações ofensivas do Palmeiras.
Ele pode ser muito importante para dar ao time algo que ainda falta em diversos momentos: imprevisibilidade.
Arias consegue atuar aberto, aproximar-se do meio, atacar espaços e criar para companheiros.
Em um elenco que também possui nomes como Vitor Roque, Flaco López e Felipe Anderson, há qualidade suficiente para que o Palmeiras produza mais no ataque.
A questão é transformar essas peças em um funcionamento coletivo mais consistente.
Depois do gol, o jogo ficou mais confortável
A vantagem mudou a dinâmica da partida.
O Cerro Porteño precisou se expor mais e o Palmeiras passou a encontrar espaços que não existiam anteriormente.
O Verdão criou oportunidades para ampliar, com participações de Vitor Roque, Murilo e Flaco López.
Os números finais também mostram que o Palmeiras terminou a partida produzindo um pouco mais ofensivamente.
Foram 13 finalizações contra dez, 12 passes-chave contra seis e 48 ataques considerados perigosos, diante de 31 do Cerro Porteño. O xG da partida ficou próximo de 0,83 para o Palmeiras e 0,64 para os paraguaios.
O time pareceu mais confortável jogando com a vantagem do que tentando construí-la.
E aí aparece outra questão importante: nas próximas fases, o Palmeiras talvez não tenha sempre a oportunidade de abrir o placar primeiro.
Carlos Miguel também teve participação decisiva
Nos acréscimos, o Cerro ainda teve uma oportunidade importante.
Carlos Miguel precisou defender uma finalização de Vegetti, evitando o empate que levaria a decisão para os pênaltis.
Esse tipo de lance costuma passar despercebido quando o resultado termina favorável.
Mas goleiro de equipe que disputa títulos precisa justamente disso: aparecer quando é exigido poucas vezes.
Carlos Miguel respondeu em um dos momentos mais importantes da noite.
A classificação foi grande; a atuação, nem tanto
Para mim, essa é a síntese do jogo.
O Palmeiras conseguiu um excelente resultado.
Vencer fora de casa, no Paraguai, em uma eliminatória de Libertadores, tem muito mérito.
O problema seria transformar esse resultado em argumento para dizer que está tudo funcionando perfeitamente.
Não está.
Esse elenco é caro, experiente e cheio de alternativas. Por isso, a cobrança por mais qualidade coletiva é legítima.
O Palmeiras ainda mostra dificuldades para construir contra equipes bem organizadas e, em alguns momentos, parece excessivamente dependente de bolas paradas, força física e ações individuais.
Nas quartas de final, o nível tende a aumentar.
E provavelmente chegará um momento em que apenas competir bem não será suficiente.
O setor ofensivo ainda tem margem enorme para evolução
Vitor Roque e Flaco López representam uma dupla com força física e capacidade de decisão, mas nem sempre recebem a bola em condições favoráveis.
Contra o Cerro, Vitor Roque voltou a ter dificuldades para transformar sua movimentação em presença efetiva no ataque.
Isso não significa falta de qualidade.
O problema também passa pela maneira como o Palmeiras abastece seus jogadores ofensivos.
Centroavantes podem brigar durante a partida inteira contra os zagueiros. Se a equipe não consegue encontrar passes limpos ou criar situações dentro da área, a eficiência naturalmente diminui.
O desafio para Abel Ferreira é fazer o time chegar mais vezes aos atacantes em condições de finalizar.
Abel mantém uma característica difícil de ignorar: o Palmeiras sabe competir
Existem discussões sobre escalação.
Existem críticas às substituições.
E existe cobrança por um futebol melhor.
Ainda assim, uma característica permanece desde os primeiros anos de Abel Ferreira no clube: o Palmeiras dificilmente deixa de competir em mata-matas.
Mesmo quando o futebol não aparece, o time permanece vivo.
Mesmo quando sofre pressão, encontra maneiras de atravessar os momentos ruins.
Mesmo sem inspiração, costuma ter jogadores capazes de resolver um lance.
Isso vale muito em Libertadores.
Só que sobreviver não é exatamente a mesma coisa que dominar.
Se o Palmeiras quiser novamente chegar ao título continental, em algum momento precisará reunir as duas características.
ANÁLISE MUNDO SPORTS NEWS: o Palmeiras passou, mas pode entregar bem mais
Minha leitura da classificação é simples:
o Palmeiras fez o necessário para avançar, mas não apresentou uma atuação do tamanho do potencial que possui.
E as duas afirmações podem coexistir.
O torcedor tem motivos para comemorar.
O Verdão ganhou no Paraguai, eliminou um clube tradicional e novamente chegou às quartas da principal competição da América do Sul.
Por outro lado, o nível de investimento do atual elenco naturalmente aumenta a expectativa.
Jhon Arias tem capacidade para criar mais.
Vitor Roque pode ser mais decisivo.
Flaco López pode participar mais.
Felipe Anderson pode contribuir mais.
O meio-campo pode exercer maior controle.
E o conjunto pode apresentar mais alternativas ofensivas.
Existe, portanto, uma notícia positiva escondida dentro dessa cobrança:
o Palmeiras ainda não atingiu seu melhor nível e mesmo assim está entre os oito melhores da Libertadores.
O alerta é que os confrontos vão ficar mais difíceis.
A margem para erros diminui a cada fase.
O time já provou que possui força mental, experiência e competitividade.
Agora precisa mostrar que consegue adicionar mais futebol a essas características.
Se fizer isso, entra na próxima etapa não apenas como um time difícil de eliminar, mas como um candidato ainda mais forte ao título.
Próximo adversário nas quartas
O Palmeiras agora aguarda o vencedor do confronto entre LDU e Mirassol para saber quem enfrentará nas quartas de final.
Independentemente de quem avançar, a exigência vai aumentar.
O Verdão chega à próxima fase classificado, com uma vitória fora de casa e com algo que pode ser tão importante quanto qualquer ajuste tático:
confiança.
Números de Cerro Porteño 0 x 1 Palmeiras
- Placar: Cerro Porteño 0 x 1 Palmeiras
- Agregado: Palmeiras 2 x 1 Cerro Porteño
- Gol: Gustavo Gómez, 41′ do primeiro tempo
- Assistência: Jhon Arias
- Posse: Cerro 57% x 43% Palmeiras
- Finalizações: Cerro 10 x 13 Palmeiras
- Chutes no alvo: 3 x 3
- Escanteios: 7 x 6
- xG: Cerro 0,64 x 0,83 Palmeiras
- Finalizações dentro da área: Cerro 6 x 8 Palmeiras
- Passes-chave: Cerro 6 x 12 Palmeiras
LEIA TAMBÉM:
Vasco cria, finaliza e não marca: números expõem problema que pode custar caro na temporada
