Vasco cria, finaliza e não marca: números expõem problema que pode custar caro na temporada
O placar nem sempre conta toda a história de uma partida. Nos últimos jogos do Vasco, essa frase ganhou ainda mais força.
O time comandado por Pedro Emanuel vem conseguindo chegar ao campo ofensivo, aumentar seu volume de finalizações e, em determinadas partidas, dominar completamente o adversário. O problema aparece justamente na parte mais importante do futebol: transformar oportunidades em gols.
Os números recentes ajudam a explicar a sensação do torcedor.
Nos confrontos contra Bahia, Olimpia e Santos, o Vasco realizou 48 finalizações e não marcou uma única vez. Foram três partidas consecutivas sem balançar as redes, apesar de períodos de superioridade e de um número significativo de oportunidades criadas.
Não parece mais ser apenas uma questão de criar.
O Vasco precisa concluir melhor aquilo que está construindo.
48 finalizações e nenhum gol nos últimos três jogos
A sequência chama atenção principalmente pela quantidade de tentativas.
Bahia 0 x 0 Vasco
Na Arena Fonte Nova, o Vasco finalizou 14 vezes, contra 11 do Bahia. Foram três chutes no alvo para o time carioca e um xG de 0,65, ligeiramente superior aos 0,53 registrados pelos donos da casa.
Mesmo jogando fora de casa contra uma equipe que vinha fazendo campanha melhor no Campeonato Brasileiro, o Vasco conseguiu competir e teve possibilidades de voltar de Salvador com uma vitória.
A própria análise após a partida apontou evolução na organização da equipe de Pedro Emanuel, que conseguiu enfrentar o Bahia de forma equilibrada mesmo com problemas no elenco.
O placar, entretanto, terminou em 0 a 0.
Vasco 0 x 0 Olimpia
Foi diante do Olimpia que o problema ficou mais evidente.
O Vasco teve:
- 74% de posse de bola
- 21 finalizações
- 7 chutes no gol
- 15 finalizações dentro da área
- 5 grandes chances criadas
- 5 grandes chances desperdiçadas
- 11 escanteios
- 2,19 de xG
O Olimpia, em comparação, terminou a partida com apenas duas finalizações e 0,05 de xG.
Mesmo com tamanho domínio, o resultado novamente foi 0 a 0.
Segundo o ge, foi a partida com mais finalizações do Vasco desde a chegada de Pedro Emanuel e também aquela na qual a equipe produziu suas oportunidades mais claras sob o comando do português.
Talvez nenhum outro jogo recente represente tão bem o problema ofensivo atual.
O Vasco conseguiu construir.
Conseguiu entrar na área.
Conseguiu finalizar.
Conseguiu colocar o goleiro adversário para trabalhar.
Só não conseguiu marcar.
Contra o Santos, roteiro voltou a aparecer
O duelo diante do Santos aumentou ainda mais a frustração.
O Vasco perdeu por 3 a 0 em São Januário, mas o placar final não mostra completamente o que aconteceu durante boa parte da partida.
No primeiro tempo, o Vasco teve 62% de posse de bola e dez finalizações, contra apenas quatro do Santos. Depois do intervalo, continuou tentando pressionar e chegou a acertar a trave pouco antes de sofrer o primeiro gol.
Ao final da partida, foram 13 finalizações vascaínas, contra 11 do Santos.
Mas aí apareceu a diferença que decide partidas.
O Vasco desperdiçou.
O Santos aproveitou.
Gabriel Barbosa abriu o placar pouco depois de Puma Rodríguez acertar a trave. Depois, duas cobranças de falta de Neymar terminaram nos outros gols santistas.
Em poucos minutos, uma partida na qual o Vasco havia sido competitivo virou uma derrota pesada.
Um número resume o problema: 48 a 0
Somando somente os três confrontos mais recentes:
Bahia: 14 finalizações
Olimpia: 21 finalizações
Santos: 13 finalizações
Total: 48 finalizações
Gols marcados: 0
Os números mostram que o problema recente não pode ser explicado apenas por falta de presença ofensiva.
Contra Bahia e Olimpia, partidas que possuem números detalhados de gols esperados disponíveis, o Vasco acumulou 2,84 de xG e 35 finalizações sem marcar.
O xG não significa que um time “deveria obrigatoriamente” marcar determinado número de gols. A métrica estima a qualidade das oportunidades a partir da probabilidade de uma finalização semelhante terminar em gol. Em amostras pequenas, também existe bastante variação.
Ainda assim, quando o volume de oportunidades cresce e os gols continuam sem aparecer, surge um sinal importante sobre a eficiência ofensiva.
O problema já havia aparecido contra o Mirassol
A dificuldade de transformar volume em resultado não começou nesta semana.
Contra o Mirassol, em julho, o Vasco terminou com 20 finalizações, 58% de posse e 2,24 de xG, mas marcou somente uma vez e empatou por 1 a 1 em São Januário.
Ou seja, em outra partida na qual produziu bastante, o retorno no placar também foi pequeno.
O contraste fica ainda mais claro quando observamos a vitória por 3 a 1 sobre o Fluminense, pela Copa do Brasil.
Naquela noite, o Vasco teve apenas 39% da posse, mas conseguiu produzir 14 finalizações, sete delas no alvo, e terminou com 1,49 de xG. O diferencial foi a eficiência: três gols e classificação.
Isso mostra que a equipe é capaz de ser letal.
O desafio é transformar aquela eficiência em algo mais frequente.
Criar muito não significa necessariamente criar bem
Existe também uma distinção importante.
Número de finalizações sozinho não determina a qualidade de um ataque.
Um time pode chutar 20 vezes de posições ruins e produzir menos perigo do que outro que finalize apenas oito vezes de dentro da pequena área.
É exatamente por isso que o jogo contra o Olimpia é tão relevante para a análise.
Não foram apenas 21 tentativas. O Vasco acumulou 2,19 de xG, cinco grandes chances e 15 finalizações dentro da área.
Portanto, naquele confronto, a dificuldade não estava simplesmente em criar chances de qualidade.
Elas existiram.
Faltou convertê-las.
Falta um artilheiro ao Vasco?
Essa passa a ser uma pergunta inevitável.
O Vasco vem encontrando maneiras de chegar ao ataque, mas ainda procura alguém capaz de transformar uma parcela maior desse volume em gols.
Centroavante não serve apenas para permanecer dentro da área esperando cruzamentos. Um camisa 9 eficiente precisa atacar os espaços, antecipar zagueiros, oferecer opção aos pontas e, principalmente, resolver oportunidades que aparecem poucas vezes durante uma partida equilibrada.
Contra o Olimpia, cinco grandes chances foram desperdiçadas.
Contra o Santos, o Vasco teve a possibilidade de assumir a vantagem, acertou a trave e, praticamente no lance seguinte, viu Gabigol colocar o adversário na frente.
Esse tipo de situação mostra como eficiência pode alterar completamente uma partida.
A evolução de Pedro Emanuel existe, mas precisa aparecer no placar
Também seria injusto analisar o Vasco apenas pelos gols desperdiçados.
Desde a chegada de Pedro Emanuel, existem sinais de melhora na organização coletiva.
O treinador inicialmente direcionou parte importante de seu trabalho para o comportamento defensivo, posicionamento e transições. No início de agosto, o Vasco chegou a completar duas partidas consecutivas sem sofrer gols pela primeira vez na temporada.
Contra o Bahia, mesmo atuando fora de casa, o time apresentou organização suficiente para competir de igual para igual.
Contra o Olimpia, dominou quase completamente o jogo ofensivamente.
Portanto, há um paradoxo interessante.
O Vasco parece estar encontrando maneiras melhores de jogar, mas ainda não encontrou maneiras suficientes de marcar.
E futebol não premia volume ofensivo.
Premia gols.
ANÁLISE MUNDO SPORTS NEWS: o próximo salto do Vasco está dentro da área
Os últimos jogos deixam uma conclusão importante: o Vasco já não parece ser uma equipe incapaz de produzir ofensivamente.
Esse seria um problema ainda mais grave.
Hoje, o time chega.
Finaliza.
Ocupa o campo adversário.
Cria situações de perigo.
A dificuldade está na etapa seguinte.
O Vasco precisa melhorar a qualidade da última decisão e principalmente a eficiência dentro da área.
Isso envolve o centroavante, mas não exclusivamente ele. Pontas, meias e jogadores que chegam de trás também precisam participar mais da produção de gols.
A responsabilidade não pode ficar concentrada em um único jogador.
Ao mesmo tempo, a presença de um atacante com elevado poder de definição poderia transformar completamente algumas dessas atuações.
Imagine o jogo contra o Olimpia com aproveitamento de apenas uma das cinco grandes chances.
Ou o confronto contra o Santos com a bola que acertou a trave entrando antes do gol santista.
Os desempenhos passariam a ser avaliados de maneira completamente diferente.
O Vasco precisa transformar desempenho em pontos
Existe ainda uma razão para o problema exigir solução rápida.
No Campeonato Brasileiro, o Vasco terminou a 23ª rodada na zona de rebaixamento, com 22 pontos, depois da derrota para o Santos.
Nesse cenário, jogar bem sem vencer oferece pouco conforto.
Uma equipe lutando contra a parte inferior da tabela precisa converter seus melhores momentos em pontos.
Empates como o 0 a 0 contra o Bahia podem ser aceitáveis dependendo do contexto.
Mas quando partidas de grande domínio, como Vasco x Olimpia, também terminam sem gols, oportunidades importantes começam a escapar.
O futebol apresentado indica caminhos.
Os números mostram criação.
Agora falta aquilo que muda classificação, eliminações e pressão:
a bola na rede.
Números do problema ofensivo recente
Últimos três jogos:
- Bahia 0 x 0 Vasco — 14 finalizações
- Vasco 0 x 0 Olimpia — 21 finalizações
- Vasco 0 x 3 Santos — 13 finalizações
Total: 48 finalizações
Gols do Vasco: 0
Destaque contra o Olimpia
- 74% de posse
- 21 finalizações
- 7 no alvo
- 15 dentro da área
- 5 grandes chances
- 5 grandes chances perdidas
- 11 escanteios
- 2,19 xG
- 0 gols
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