A disputa de pênaltis que teve 56 cobranças e entrou para a história do futebol
Disputa de pênaltis normalmente já é tensa quando chega à quinta cobrança.
Agora imagine precisar assistir a 56 pênaltis antes de descobrir o vencedor.
Foi exatamente isso que aconteceu em Israel, em 20 de maio de 2024, quando SC Dimona e Shimshon Tel Aviv protagonizaram a disputa por pênaltis mais longa registrada no futebol.
Depois de um empate por 2 a 2 no tempo regulamentar e na prorrogação, os dois clubes precisaram recorrer às penalidades.
O resultado?
SC Dimona 23 x 22 Shimshon Tel Aviv nos pênaltis.
Foram necessárias impressionantes 56 cobranças para definir quem avançaria.
Todo mundo teve que bater mais de uma vez
O número é tão absurdo que praticamente todos os jogadores precisaram voltar para a marca da cal.
Cada equipe realizou 28 cobranças.
Como normalmente existem 11 jogadores disponíveis em campo, isso significa que todos os atletas tiveram que cobrar pelo menos duas vezes, e parte deles ainda precisou cobrar uma terceira penalidade antes da definição.
A ESPN destacou posteriormente que metade dos jogadores de cada lado acabou chegando à terceira cobrança durante a disputa.
É um cenário raro até para quem acompanha futebol há décadas.
Como o jogo chegou aos pênaltis?
A partida era válida por um playoff de acesso da terceira divisão israelense.
SC Dimona e Shimshon Tel Aviv empataram por 2 a 2 depois da prorrogação.
O Dimona conseguiu um empate nos acréscimos que manteve a equipe viva e levou o confronto para a decisão na marca da cal.
A partir dali começou uma das cenas mais improváveis já registradas em uma partida oficial.
Cobrança após cobrança.
Jogador após jogador.
Goleiros tentando decidir.
E a disputa simplesmente não acabava.
O placar final dos pênaltis foi 23 a 22
Depois das 56 cobranças, o SC Dimona finalmente conseguiu vencer.
23 pênaltis convertidos contra 22.
Isso significa que, das 56 cobranças realizadas, 45 terminaram em gol.
Outras 11 foram desperdiçadas entre defesas, chutes para fora e bolas na trave.
O nível de pressão aumenta conforme uma disputa se prolonga porque qualquer erro pode eliminar imediatamente a equipe.
Quando os jogadores começam a cobrar pela segunda ou terceira vez, entra também outro elemento:
o goleiro já viu anteriormente como aquele atleta bate.
A disputa deixa de ser apenas técnica.
Passa a envolver memória, estratégia e controle emocional.
O recorde anterior também parecia impossível
Antes desse confronto, o recorde pertencia ao futebol inglês.
Em março de 2022, Washington e Bedlington disputaram uma série de 54 penalidades pela Ernest Armstrong Memorial Cup.
Washington venceu por 25 a 24.
Naquele momento, parecia difícil imaginar que alguém conseguiria superar a marca.
Durou apenas dois anos.
O jogo israelense acrescentou duas novas cobranças e estabeleceu o recorde de 56.
Para comparar: Ajax e Panathinaikos tiveram “apenas” 34 cobranças
O tamanho desse recorde fica ainda mais claro quando comparamos com competições europeias de elite.
Em agosto de 2024, Ajax e Panathinaikos fizeram a disputa de pênaltis mais longa da história das competições da UEFA.
Foram 34 cobranças.
O Ajax venceu por 13 a 12.
Parece enorme.
E realmente é.
Mesmo assim, foram 22 cobranças a menos que o recorde mundial estabelecido em Israel.
Goleiro do Ajax fez algo quase inacreditável em outro recorde
Essa disputa entre Ajax e Panathinaikos também gerou uma história curiosa.
O goleiro Remko Pasveer, do Ajax, não apenas participou da maratona.
Ele defendeu cinco pênaltis e ainda converteu uma cobrança.
Outro detalhe absurdo foi Brian Brobbey, também do Ajax.
Ele teve a rara experiência de errar duas cobranças na mesma disputa de pênaltis.
Isso só é possível quando a série demora tanto que a ordem dos cobradores começa novamente.
Em Copa do Mundo, o recorde é muito menor
Curiosamente, as Copas do Mundo nunca chegaram perto dessas maratonas.
Historicamente, as disputas mais longas do Mundial masculino chegaram a 12 cobranças no total.
Alemanha Ocidental x França, em 1982, e Suécia x Romênia, em 1994, compartilharam esse recorde por décadas.
A Copa de 1982 também teve um significado especial:
a semifinal entre Alemanha Ocidental e França foi a primeira partida da história das Copas decidida nos pênaltis.
Ou seja:
recorde mundial: 56 cobranças
recorde histórico clássico de Copa: 12 cobranças
Uma diferença gigantesca.
As disputas por pênaltis nem sempre existiram
Hoje parece natural:
empate em mata-mata → prorrogação → pênaltis.
Mas durante boa parte da história do futebol isso não existia.
A FIFA adotou oficialmente o sistema de disputa por pênaltis em 1970.
Antes disso, algumas competições utilizavam métodos que hoje parecem impensáveis.
Um deles era simplesmente jogar uma moeda para decidir quem avançaria.
Na Eurocopa de 1968, por exemplo, a semifinal entre Itália e União Soviética terminou empatada e a vaga italiana na final foi determinada através de um sorteio com moeda.
Isso mostra por que os pênaltis, apesar de cruéis, foram considerados uma evolução.
Pelo menos o resultado passou a ser decidido pelos próprios jogadores.
Quantos pênaltis um jogo normal permitiria?
Aqui entra uma curiosidade matemática.
Se uma cobrança, reposicionamento e preparação levassem aproximadamente um minuto, 56 penalidades representariam quase uma hora adicional apenas de disputa por pênaltis.
Isso depois de:
90 minutos regulamentares
- prorrogação
- intervalos
- paralisações.
Na prática, jogadores envolvidos em uma disputa desse tamanho podem passar horas sob tensão competitiva.
O desgaste não é apenas físico.
É psicológico.
Imagine cobrar um pênalti.
Marcar.
Esperar 20 jogadores cobrarem.
E ouvir:
“Você vai bater novamente.”
Depois repetir tudo outra vez.
Por que uma disputa pode durar para sempre?
Tecnicamente, não existe um número máximo predeterminado de cobranças.
As equipes começam com cinco para cada lado.
Se permanecerem empatadas, entram nas cobranças alternadas.
Um time cobra.
O outro responde.
A disputa termina quando uma equipe marca e a outra desperdiça dentro da mesma rodada.
Se ambos marcam ou ambos erram, continua.
Por isso, teoricamente, uma disputa poderia continuar por um período extremamente longo.
O jogo de Dimona mostrou exatamente isso.
ANÁLISE MUNDO SPORTS NEWS: pênaltis são menos “loteria” do que parecem
Uma frase bastante repetida no futebol é:
“Pênalti é loteria.”
Mas uma disputa de 56 cobranças ajuda a mostrar que existe muito mais envolvido.
Técnica importa.
Preparação importa.
Estudo do goleiro importa.
Controle emocional importa.
E resistência mental talvez importe ainda mais.
Quando a mesma pessoa precisa bater pela segunda ou terceira vez, o cenário muda completamente.
O goleiro já conhece seu movimento.
O cobrador sabe que o goleiro conhece.
Essa pequena batalha psicológica vai ficando cada vez mais complexa.
É exatamente por isso que grandes clubes e seleções passaram a utilizar análises estatísticas e treinamento específico para disputas por pênaltis.
Um recorde que pode durar décadas — ou não
56 cobranças parecem uma marca praticamente impossível de superar.
Mas o recorde anterior, de 54, também parecia.
E durou apenas dois anos.
Para estabelecer uma nova marca, outra partida precisaria chegar a pelo menos 57 cobranças.
Isso exigiria que, depois de quase três ciclos completos de cobradores, as equipes ainda continuassem empatadas.
É improvável.
Mas, como o futebol já mostrou tantas vezes:
impossível é uma palavra perigosa neste esporte.
NÚMEROS DA CURIOSIDADE
Partida: SC Dimona x Shimshon Tel Aviv
Data: 20 de maio de 2024
País: Israel
Competição: playoff da terceira divisão
Placar após prorrogação: 2 x 2
Resultado nos pênaltis: Dimona 23 x 22 Shimshon
Cobranças realizadas: 56
Pênaltis convertidos: 45
Recorde anterior: 54 cobranças
Diferença para o recorde anterior: +2 cobranças
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