ANÁLISE: Palmeiras transforma equilíbrio em goleada, expõe apagão do Vasco e dispara na liderança do Brasileirão
O placar de 4 a 1 para o Palmeiras sobre o Vasco, neste domingo (23), pode transmitir a impressão de uma partida dominada do começo ao fim.
Não foi assim.
Durante boa parte do primeiro tempo, o Vasco conseguiu competir, encontrar espaços e criar oportunidades. O Palmeiras encontrou dificuldades, ouviu até sinais de impaciência vindos das arquibancadas e foi para o intervalo sem conseguir marcar.
Então vieram os primeiros minutos da segunda etapa.
E praticamente tudo mudou.
Em um intervalo de aproximadamente dez minutos, o Palmeiras marcou três vezes, desmontou a estrutura vascaína e transformou uma partida equilibrada em uma goleada.
Para mim, essa é a principal história do jogo:
Palmeiras e Vasco fizeram um primeiro tempo relativamente equilibrado. Depois do intervalo, um time soube transformar oportunidades em gols e o outro simplesmente desapareceu defensivamente.
O resultado deixou o Palmeiras ainda mais confortável na liderança do Campeonato Brasileiro e colocou o Vasco em uma situação cada vez mais delicada na luta contra o rebaixamento.
O 4 a 1 engana quem olhar apenas para o placar
Existe um dado importante para começar esta análise.
O Vasco não passou a partida inteira sendo massacrado.
O time carioca conseguiu criar situações perigosas principalmente durante o primeiro tempo. Carlos Miguel foi obrigado a realizar pelo menos três intervenções importantes ao longo do confronto, inclusive em oportunidades claras do Vasco.
Pedro Emanuel também destacou após o jogo que o Vasco teve oportunidades semelhantes às que havia criado contra o Olimpia, quando conseguiu aproveitar melhor e venceu por goleada.
Desta vez, aconteceu o contrário.
As chances apareceram.
Os gols não.
Essa comparação é extremamente interessante porque mostra como o futebol pode mudar completamente de uma partida para outra.
Contra o Olimpia, o Vasco foi eficiente.
Contra o Palmeiras, não.
E enfrentar um time como o Palmeiras significa saber que desperdícios quase sempre custarão caro.
O primeiro tempo mostrou um Vasco competitivo
O Vasco conseguiu dificultar bastante a vida do líder antes do intervalo.
Paulo Henrique e Adson combinaram bem pelo lado direito e conseguiram atacar espaços. O lateral chegou inclusive a salvar uma oportunidade perigosa defensivamente e foi um dos jogadores vascaínos mais consistentes no primeiro tempo.
O Palmeiras não conseguia estabelecer aquela pressão constante que normalmente apresenta como mandante.
O jogo estava aberto.
O Vasco tinha espaço.
E, por alguns momentos, parecia perfeitamente possível imaginar o time carioca saindo na frente.
Esse é justamente o motivo pelo qual o resultado final precisa ser analisado além do 4 a 1.
O Vasco não perdeu porque foi incapaz de competir. Perdeu porque não conseguiu sustentar sua competitividade durante 90 minutos.
Abel Ferreira mexeu principalmente na mentalidade
Depois da partida, Abel Ferreira revelou que desafiou seus jogadores durante o intervalo.
A mensagem foi basicamente perguntar se eles eram capazes de entregar mais.
A resposta apareceu imediatamente no campo.
O Palmeiras voltou para a segunda etapa muito mais agressivo.
Pressionou melhor.
Acelerou a circulação da bola.
Passou a atacar os espaços com mais intensidade.
E principalmente:
começou a finalizar com eficiência.
É nesse ponto que Palmeiras e Vasco seguiram caminhos completamente diferentes.
Flaco López abriu a porta da goleada
O primeiro golpe aconteceu logo no início do segundo tempo.
Flaco López encontrou espaço e abriu o placar.
O argentino voltou a ser um dos grandes protagonistas do Palmeiras e terminaria a partida com dois gols. Ele chegou a 19 gols na temporada, reforçando sua importância dentro do elenco de Abel Ferreira.
O lance também expôs um problema defensivo do Vasco.
Carlos Cuesta concedeu espaço demais ao atacante palmeirense no lance e, poucos minutos depois, voltaria a participar negativamente de outra jogada decisiva. O zagueiro recebeu a pior avaliação do ge entre os jogadores vascaínos.
O primeiro gol pareceu desligar o Vasco
Aqui está, na minha opinião, o ponto mais preocupante para Pedro Emanuel.
Sofrer um gol contra o Palmeiras é absolutamente normal.
O problema foi a reação.
O Vasco passou de uma equipe organizada para um time completamente vulnerável em poucos minutos.
Léo Jardim utilizou uma palavra bastante adequada depois da partida:
apagão.
O goleiro reconheceu que o Vasco havia realizado um bom primeiro tempo, mas lamentou os erros cometidos no início da segunda etapa, quando o Palmeiras marcou três vezes rapidamente.
Isso já havia acontecido contra o Santos.
E quando um comportamento negativo começa a se repetir, deixa de ser apenas uma casualidade.
Vitor Roque voltou a marcar
Pouco depois do primeiro gol, Carlos Cuesta cometeu pênalti.
Vitor Roque cobrou e marcou.
O gol teve também um significado pessoal importante para o atacante, que vinha de uma sequência de 13 partidas sem balançar as redes, período afetado também por problemas físicos.
Para o Palmeiras, isso pode representar uma excelente notícia para a reta decisiva da temporada.
Um Vitor Roque confiante aumenta consideravelmente as possibilidades ofensivas do time.
O clube já possui Flaco López em grande fase.
Se Vitor Roque também recuperar seu melhor nível, Abel ganha uma dupla capaz de decidir partidas de maneiras diferentes.
Maurício fez o terceiro e praticamente encerrou o jogo
Antes que o Vasco conseguisse respirar, veio o terceiro.
Maurício marcou após jogada construída com participação de Andreas Pereira, ampliando para 3 a 0.
Foi o momento em que a partida terminou psicologicamente.
O Vasco ainda tinha bastante tempo.
Mas o impacto de sofrer três gols tão rapidamente foi enorme.
E esse gol também contou com uma falha de Léo Jardim, que não conseguiu impedir a finalização.
Em dez minutos, todo o bom trabalho realizado durante o primeiro tempo havia desaparecido.
Flaco novamente: 4 a 0
O Palmeiras continuou controlando a partida e Flaco López voltaria a marcar no fim.
Segundo gol dele.
Quarto do Palmeiras.
E mais uma demonstração de eficiência.
O argentino vem se consolidando como um jogador decisivo justamente porque não precisa participar de todas as jogadas para influenciar uma partida.
Atacantes são julgados principalmente pelo que fazem perto do gol.
E Flaco tem feito bastante.
Colidio diminuiu, mas já era tarde
O Vasco conseguiu marcar seu gol de honra nos acréscimos, com Colidio.
O gol mudou o placar.
Não mudou a história da partida.
Palmeiras 4.
Vasco 1.
Para o Vasco, pelo menos serviu para encerrar mais uma partida encontrando a rede depois da goleada sobre o Olimpia.
Mas a questão ofensiva continua longe de estar resolvida.
Eficiência explica muito do resultado
Talvez nenhuma palavra explique melhor a partida:
eficiência.
O Vasco conseguiu chegar.
O Palmeiras também.
Quando apareceram os momentos decisivos, o líder do campeonato foi muito superior.
Carlos Miguel defendeu oportunidades importantes do Vasco.
Do outro lado, o Palmeiras praticamente transformou cada grande oportunidade do início do segundo tempo em gol.
É uma diferença fundamental entre equipes em situações tão distintas na classificação.
Um time que disputa título costuma punir erros.
Um time que luta contra o rebaixamento não pode oferecer tantos.
Palmeiras apresenta uma característica de campeão
Existe uma característica que considero fundamental em campeonatos de pontos corridos:
vencer mesmo quando você não começa jogando bem.
O Palmeiras não fez um grande primeiro tempo.
Isso não importou.
Abel ajustou o comportamento no intervalo.
Os jogadores responderam.
O time marcou rapidamente.
E matou a partida.
Essa capacidade de resolver jogos nos quais não existe domínio absoluto é uma das razões pelas quais o Palmeiras se mantém tão competitivo.
Depois de 24 rodadas, o Verdão chegou a 51 pontos, sua melhor campanha nesse estágio dentro da era dos pontos corridos.
É um número impressionante.
Palmeiras abre seis pontos na liderança
A rodada foi praticamente perfeita para o Verdão.
Além de vencer o Vasco por 4 a 1, o Palmeiras viu o Flamengo perder para o Cruzeiro.
Com isso:
Palmeiras: 51 pontos
Flamengo: 45 pontos
A vantagem chegou a seis pontos, embora o Flamengo tenha um jogo a menos.
Mais importante ainda é observar a força da campanha.
Segundo cálculos da Universidade Federal de Minas Gerais divulgados após a rodada, a probabilidade de título do Palmeiras saltou de 43,5% para 60,5%.
A do Flamengo caiu para 23,5%.
Probabilidades não entregam taças.
Mas ajudam a mostrar o tamanho da vantagem construída.
Palmeiras vive uma temporada rara
Existe outro dado interessante.
O Palmeiras nunca havia vivido exatamente este cenário:
liderar o Campeonato Brasileiro e, simultaneamente, estar classificado às quartas de final da Copa do Brasil e da Libertadores.
Isso demonstra a força do elenco.
Disputar três competições pesadas ao mesmo tempo exige profundidade.
Abel precisa rodar jogadores.
Administrar desgaste.
Conviver com lesões.
E ainda assim manter resultados.
O Palmeiras está conseguindo.
O outro lado: Vasco afunda na zona de rebaixamento
Para o Vasco, o cenário é completamente diferente.
A equipe chegou ao oitavo jogo consecutivo sem vencer no Campeonato Brasileiro.
Mais preocupante ainda é observar a queda ao longo das últimas rodadas.
Nos últimos oito jogos do campeonato, o Vasco conquistou apenas dois pontos de 24 possíveis.
Isso representa aproveitamento de somente 8,3%.
Nesse período, caiu da oitava colocação para a 19ª posição.
Esse número precisa preocupar muito mais do que qualquer goleada isolada.
Uma derrota por 4 a 1 dói.
Uma sequência de oito partidas sem vencer derruba um clube.
O Vasco tem apenas cinco vitórias em 23 partidas
A campanha mostra claramente o problema.
Após o confronto, o Vasco acumulava:
23 jogos
5 vitórias
7 empates
11 derrotas
É uma campanha incompatível com tranquilidade no Brasileirão.
Copas podem oferecer momentos especiais.
A goleada contra o Olimpia mostrou isso.
Mas o campeonato exige constância.
E hoje o Vasco não possui.
O desempenho fora de casa é ainda mais preocupante
A situação como visitante também chama atenção.
O Vasco ainda não venceu fora de casa nesta edição do Brasileirão e acumulava apenas cinco empates em 12 partidas como visitante depois da derrota em São Paulo.
Esse tipo de campanha obriga o clube a ser praticamente perfeito em São Januário.
E isso não está acontecendo.
Se o Vasco pretende escapar do rebaixamento sem passar pelas últimas rodadas em situação desesperadora, precisa começar a pontuar fora.
Sete gols sofridos em dois jogos contra paulistas
Existe ainda um recorte bastante duro.
Antes de enfrentar o Palmeiras, o Vasco havia perdido por 3 a 0 para o Santos.
Agora sofreu 4 a 1.
Nos dois últimos confrontos contra equipes paulistas:
Palmeiras + Santos: 7 gols
Vasco: 1 gol
Além do número, existe uma semelhança incômoda.
Nos dois jogos, o Vasco conseguiu competir durante períodos importantes.
Depois de sofrer o primeiro gol, desmoronou.
O problema psicológico precisa entrar na discussão
Esse talvez seja um aspecto ainda mais grave do que esquema tático.
Times que lutam contra o rebaixamento inevitavelmente sofrerão gols.
A questão é:
como reagem?
O Vasco não pode transformar todo primeiro gol adversário em uma sentença.
Contra o Palmeiras, o time passou de 0 a 0 para 3 a 0 em cerca de dez minutos.
Isso aponta para dificuldade de reorganização emocional e tática.
Pedro Emanuel precisa trabalhar esse aspecto rapidamente.
Porque não existe sistema defensivo capaz de passar 38 rodadas sem sofrer.
Pedro Emanuel tem razão em uma coisa: futebol é gol
O treinador resumiu parte do problema depois da partida.
O Vasco teve chances.
Não aproveitou.
O Palmeiras aproveitou.
É simples.
E brutal.
O Vasco já havia produzido muito contra Bahia, Olimpia e Santos.
Contra o Olimpia, finalmente conseguiu transformar oportunidades em quatro gols.
Havia esperança de que aquela goleada representasse uma mudança definitiva na eficiência ofensiva.
O Palmeiras mostrou que ainda não.
ANÁLISE MUNDO SPORTS NEWS: a diferença não foi de 4X1 durante 90 minutos
Minha leitura dessa partida é diferente daquela que o placar pode sugerir.
Palmeiras e Vasco não estiveram separados por três gols durante os 90 minutos inteiros.
Durante o primeiro tempo, a diferença foi pequena.
O Vasco teve suas oportunidades.
Carlos Miguel apareceu.
O Palmeiras enfrentou dificuldades.
Mas grandes times têm uma característica fundamental:
quando o adversário oferece a oportunidade, eles castigam.
O Palmeiras castigou.
O Vasco não.
Essa é a diferença entre um líder e um vice-lanterna neste momento.
O Palmeiras sabe sobreviver aos seus momentos ruins
É possível jogar mal durante 20 minutos.
Durante 30.
Até durante um tempo inteiro.
O problema é não encontrar soluções.
O Palmeiras encontrou.
Abel cobrou.
O time respondeu.
Flaco marcou.
Vitor Roque marcou.
Maurício marcou.
Depois Flaco marcou novamente.
Em poucos minutos, aquilo que parecia um jogo complicado virou uma tarde tranquila.
Isso não acontece por acaso.
É característica de uma equipe acostumada a vencer.
O Vasco precisa aprender a não perder duas vezes dentro do mesmo jogo
O Vasco sofreu o primeiro gol.
Depois pareceu sofrer também emocionalmente.
E esse segundo golpe foi ainda pior.
Uma equipe pode sofrer um gol e continuar jogando.
Pode empatar.
Pode virar.
Pode pelo menos manter o jogo vivo.
O que não pode acontecer é um gol adversário desmontar toda a estrutura.
Contra o Palmeiras, desmontou.
E Pedro Emanuel precisa resolver isso.
A goleada não apaga os sinais positivos do primeiro tempo
Também considero um erro simplesmente dizer que tudo foi ruim.
Não foi.
O Vasco mostrou durante 45 minutos que consegue competir contra o melhor time do campeonato.
Criou.
Fez Carlos Miguel trabalhar.
Encontrou espaços pelos lados.
Defendeu relativamente bem.
Isso existe.
O desafio é transformar 45 minutos em 90.
Esse talvez seja o resumo da temporada vascaína.
Existem bons momentos.
Falta continuidade.
Palmeiras sai fortalecido em todas as frentes
Para o Palmeiras, a goleada produz efeitos muito maiores que três pontos.
Flaco continua marcando.
Vitor Roque encerrou seu jejum.
Maurício deixou o dele.
Carlos Miguel voltou a aparecer bem.
A liderança aumentou.
E a confiança cresce justamente antes da fase decisiva das copas.
É difícil imaginar uma rodada melhor para Abel Ferreira.
Próximo desafio: manter o ritmo
O calendário não permitirá muita comemoração.
O Palmeiras volta a campo contra o Santos, pela partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil.
E esse será outro teste.
O Verdão disputa Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil simultaneamente.
Cada competição exige um tipo diferente de concentração.
A profundidade do elenco será testada.
Para o Vasco, o Brasileirão virou prioridade absoluta
Já o Vasco precisa olhar para sua situação de maneira extremamente objetiva.
O time pode continuar sonhando nas copas.
Mas o Brasileirão não permite mais uma sequência tão ruim.
São apenas dois pontos conquistados nos últimos 24 disputados.
A equipe precisa parar a queda.
E rapidamente.
Porque enquanto o Palmeiras olha para cima, pensando em título, o Vasco precisa começar a olhar desesperadamente para os adversários que estão logo acima do Z4.
Dois clubes, duas realidades
O 4 a 1 representa perfeitamente o momento dos dois times.
O Palmeiras encontrou dificuldades.
Resolveu.
O Vasco criou oportunidades.
Desperdiçou.
O Palmeiras sofreu pressão.
Sobreviveu.
O Vasco sofreu um gol.
Desmontou.
O Palmeiras abriu seis pontos na liderança.
O Vasco permanece afundado na zona de rebaixamento.
O placar foi construído em 45 minutos.
Mas as razões por trás dele vêm sendo construídas durante todo o campeonato.
NÚMEROS DO JOGO
Palmeiras 4 x 1 Vasco
Gols do Palmeiras
- Flaco López — 2
- Vitor Roque — 1
- Maurício — 1
Gol do Vasco
- Colidio — 1
Palmeiras após a rodada: 51 pontos
Vantagem na liderança: 6 pontos
Vasco: 19º colocado após a rodada.
Destaques
Flaco López: dois gols e 19 na temporada.
Vitor Roque: voltou a marcar depois de 13 partidas sem gol.
Carlos Miguel: pelo menos três intervenções importantes diante das oportunidades vascaínas.
Momento do Vasco no Brasileirão
- 8 jogos consecutivos sem vitória
- 2 pontos conquistados em 24 possíveis
- 8,3% de aproveitamento no período
- 5 vitórias em 23 partidas
- 11 derrotas
- 19ª posição
Momento do Palmeiras
- 51 pontos em 24 rodadas
- melhor campanha do clube nesse estágio da era dos pontos corridos
- seis pontos de vantagem sobre o Flamengo
- classificado às quartas da Libertadores
- classificado às quartas da Copa do Brasil
- líder do Brasileirão
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